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Poupança: empurraram com a barriga do jeito pior

Depois de tudo, o governo conseguiu arrumar a pior solução para o problema da convergência de rentabilidade entre os fundos de renda fixa conservadores e os depósitos de poupança. Pressionado por fatores e factóides político-eleitorais, decidiu empurrar com a barriga o “problema” da redução dos juros. Mas empurrou do pior jeito.

“Problema” vai aqui entre as aspas porque não há comparação entre este tipo de problema, provocado pela trajetória de redução das taxas de juros, e os problemas inversos, sem aspas, que aparecem quando os juros sobem. É preciso não esquecer que estamos discutindo o rendimento de poupanças, mas estas só existem – e, principalmente, para as camadas de renda mais baixa, não aquinhoadas, como os mais ricos, entre outras vantagens sociais, por heranças – se o trabalhador-poupador tiver trabalho e renda suficiente para poupar. Ou seja, entre um rendimento menor sobre poupanças concretas, ainda que pequenas, e rendimento maior sobre poupança nenhuma – ou o outro lado da moeda, mais juros incidentes sobre dívidas – não há dúvida sobre a melhor escolha.

Enfim, se a idéia era empurrar com a barriga, melhor teria sido fazer como fez há dois anos, simplesmente aplicando um redutor na TR que corrige os depósitos de poupança. Com medo, no entanto, de uma reação política – reação nutrida pela demora em encontrar uma saída para a distorção que pode ocorrer no mercado financeiro com a redução dos juros –, optou por não mexer no rendimento bruto da poupança, e empurrar com a barriga às custas de uma confusa regra de incidências e renúncias do imposto de renda, de acordo com o movimento da taxa básica de juros.

Com isso, o governo deixou passar a impressão de que ele mesmo não acredita numa redução da Selic abaixo de 7,25% ao ano. Deixou passar a impressão, não, reconheceu isso, explicitamente, em declarações do ministro Guido Mantega e do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, na entrevista de anúncio das alterações na poupança e nos fundos, agora há pouco, em Brasília. É, no mínimo, uma esquisitice.

Há outras esquisitices. Nas regras anunciadas, criou-se uma estranha vinculação entre a taxa básica de juros e a incidência (ou renúncia) do IR. Se a taxa Selic cair dos atuais 10,25% ao ano, haverá redução de impostos nos fundos de investimento, já este ano, e incidência de imposto nas poupanças acima de R$ 50 mil (recolhido na declaração anual de ajuste), a partir de 2010.

Transformar o nível da taxa básica em gatilho para o recolhimento ou dispensa do IR é uma inovação fiscal daquelas. Uma nova jabuticaba que adicionamos ao arcabouço econômico universal.

Quanto às taxas de administração cobradas pelos bancos em seus fundos de investimento, nem um peteleco de medidas para estimular mais competição pelos aplicadores.

Fonte: Blog José Paulo Kupfer

Governo propõe Imposto de Renda para poupanças com mais de R$ 50 mil

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou nesta quarta-feira propostas de mudanças nas cadernetas de poupança. O governo decidiu, a partir de 2010, propor cobrança de Imposto de Renda para poupanças acima de R$ 50 mil, caso a taxa básica de juros, a Selic, fique abaixo de 10,50% - hoje, a taxa é de 10,25% ao ano. Segundo Mantega, 99% das cadernetas são de aplicações de R$ 100 a R$ 50 mil. Os estudos para a medida foram concluídos na última terça-feira.

Segundo o ministro, até o limite de R$ 50 mil, "não há nenhuma diferença" para os poupadores. Para os valores acima desse patamar, haverá uma taxação progressiva.

No entanto, se a poupança for a única fonte de renda do poupador, não haverá tributação sobre o dinheiro da caderneta. O ministro ressaltou que nenhuma mudança acontecerá em 2009, somente no ano que vem.

O ministro disse ainda que nos próximos dias o governo pretende editar uma Medida Provisória (MP) reduzindo os tributos sobre aplicações de renda fixa, para torná-las mais competitivas frente à poupança.

Tributação

A Fazenda corrigiu uma informação do ministro, que havia falado durante a coletiva que o limite seria inferior a 10,50%. Segundo comunicado do ministério, estas serão as novas alíquotas a serem cobradas sobre os rendimentos de poupanças acima de R$ 50 mil.

Taxa Selic

Alíquota de IR

Acima de 10,50%

0

10,50% a 10%

20%

10% a 8,75%

30%

8,75% a 8,25%

40%

8,25% a 7,75%

60%

7,75% a 7,25%

80%

abaixo de 7,25%

100%

A Fazenda informou ainda que estarão isentos os rendimentos de até R$ 250 por mês, o que corresponde ao rendimento mensal de uma poupança com saldo de R$ 50 mil.

Aprovação

Mantega ressaltou que o projeto ainda depende de aprovação no Congresso, mas afirmou que, em reunião nesta manhã com a base aliada, percebeu que há consenso para aprovar as mudanças.

Se a Selic ficar na casa entre 10% e 10,25%, a tributação incidirá sobre 20% do rendimento de cadernetas com mais de R$ 50 mil. Caso a Selic caia abaixo de 10,5%, em 2009, o governo vai reduzir tributos sobre os investimentos que não são poupança. A poupança continua como está. Ou seja, a cobrança de IR sobre poupança vai acontecer em 2010. Nesse ano, o governo vai cortar tributos dos fundos de outros investimentos se a Selic cair mais.

Pelo anúncio feito hoje, as novas regras permitem taxação de IR com Selic até 7,25%. Abaixo disso, será preciso "estudar" novas mudanças, o que abre espaço para uma redução da Selic até esse patamar. O ministro destacou que a tributação é sobre o rendimento do montante superior a R$ 50 mil, e não sobre o valor depositado. Ou seja, de acordo com Mantega, uma caderneta com R$ 55 mil teria o rendimento relativo aos de R$ 5 mil tributado.

Mantega classificou a hipótese de confisco da poupança como absurda. "Algum irresponsável levantou essa hipótese na imprensa, porque em nenhum momento o governo cogitou isso", reforçou. "A poupança continuará sendo a melhor aplicação para os pequenos poupadores brasileiros, inclusive ganhando mais do que em outros países", afirmou.

Inflação

Por sua vez, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, pontuou que existe hoje expectativa de que a inflação esteja dentro da meta do governo, o que abre espaço para novas reduções da taxa de juros. "Mas um problema é que o País tem uma montagem de instrumentos baseados em taxas de juros elevadas. Uma delas foi a taxação integral dos investimentos, e isenção na poupança. Por isso são necessárias as mudanças", disse.

Para Meirelles, sem as mudanças, podem faltar recursos no mercado para empréstimos normais. "Excessos de recursos na poupança podem não ser absorvidos pelo sistema", afirmou.


Meirelles reconheceu também que a medida anunciada hoje derruba o impedimento institucional mais imediato para novas reduções da taxa de juros.

Mantega disse que se considerar uma inflação de 4% a 4,5% ao ano, a taxa real de juros ficará entre 2% e 2,5% ao ano, que equivale ao risco Brasil. "Não sei se, no nosso horizonte, podemos pensar em taxas mais baixas", disse o ministro, ao responder sobre se as medidas não seriam paliativas e poderiam levar o governo a ter de voltar a discutir o rendimento da poupança, se o Brasil atingir taxas de juros de 2% a 3% ao ano.


Fonte: Agência Estado

Governo quer mudar poupança

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiu ontem a possibilidade de mudar o cálculo de rentabilidade da caderneta de poupança. "Nós temos de pensar, não podemos permitir que os poupadores tomem prejuízo no Brasil, nós precisamos defender a poupança", disse, durante seminário sobre o país em Nova York. Muitos analistas têm alertado para o fato de que a tendência de forte queda da taxa básica de juros (Selic) para 11,25% ao ano beneficiará a poupança em detrimento de outras modalidades de aplicação financeira. Isso porque a poupança tem rendimento garantido por lei de 6% ao ano, mais a variação da TR.
Setores do governo já vêm discutindo o tema reservadamente, mas ontem foi a primeira vez que Lula admitiu publicamente a preocupação. O presidente afirmou que vai ter uma reunião com a equipe econômica quando chegar ao país "para ver como fica". "Vamos discutir o que vamos fazer, porque eu também não posso adivinhar".
"Mas nós já mexemos dois anos atrás, quando descobrimos que gente que tinha muito dinheiro queria pôr na poupança. E nós mexemos para garantir o investimento apenas para os pequenos, aqueles que precisam. Aqueles que têm dinheiro que façam outro tipo de investimento", afirmou.
CPF pela internet - Em até quatro meses, o contribuinte passará a atualizar dados pessoais pela internet e obter CPF em tempo real, sem esperar até duas semanas pela emissão do documento. A novidade foi anunciada ontem pelo secretário-adjunto da Receita Federal, Otacílio Cartaxo. Chamado de "Webservice", o sistema está em fase final de desenvolvimento, segundo Cartaxo. Com o serviço, o contribuinte que, por exemplo, mudar de endereço ou de sobrenome, poderá alterar os dados de sua própria casa sem precisar ir aos postos da Receita.
Em relação ao CPF, o documento continuará a ser emitido nas agências dos Correios, do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal. A diferença é que o cartão será impresso e entregue na hora, enquanto atualmente o documento leva até 15 dias para chegar à casa do contribuinte. Hoje, para obter o documento é necessário pagar R$ 5,50 em taxas de impressão, atendimento e postagem.

Fonte: DP