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Tarso assina amanhã anistia política a Miguel Arraes


O ministro da Justiça, Tarso Genro, vai assinar nesta quarta-feira portaria que concederá anistia política ao ex-governador de Pernambuco Miguel Arraes.

Há exatos 45 anos, quando um golpe militar instalou a ditadura no país, o então governador foi preso pelos militares e conduzido para fora do Palácio do Campo das Princesas, sede do governo do Estado. Tarso irá assinar a portaria neste mesmo local.

O ato será realizado na abertura da 20ª Caravana da Anistia, com a presença do governador do Estado, Eduardo Campos (PSB), neto de Arraes, do prefeito de Recife, João da Costa (PT), do presidente da AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros), Mozart Valadares Pires, e do presidente da Comissão de Anistia, Paulo Abrão.

OAB

O presidente nacional da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Cezar Britto, defendeu hoje, ao comentar a passagem dos 45 anos do golpe militar de 1964, a abertura dos arquivos da ditadura militar como forma de "resgatar a memória do país lamentavelmente vivida no período sombrio do regime militar".

"Um país que não conhece sua história, sobretudo suas páginas mais sombrias e controversas, corre o risco de repeti-la", disse.

Segundo ele, a Lei de Anistia perdoou "reciprocamente os delitos políticos de ambas as partes". "Mas anistia não é amnésia. É necessário saber que crimes foram esses e os que estão efetivamente por ela abrangidos."

Britto afirmou que questões básicas, como o paradeiro de cadáveres e o destino de pessoas desaparecidas, continuam sem solução, "cobertas pelo manto do silêncio e da cumplicidade".


Fonte: Folha Online

Congresso // Ofensiva contra o Poder Judiciário

Parlamentares agastados com a intromissão do Judiciário em assuntos políticos, particularmente em 2008, preparam uma ofensiva contra os tribunais a ser desencadeada depois do recesso. O protagonismo do Judiciário levou o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, a classificar o STF como a "verdadeira terceira Câmara" ao lado da Câmara dos Deputados e do Senado, tal o número e a importância de questões que acabaram sendo definidas pelo tribunal. Mesmo reconhecendo a omissão do Congresso como o combustível que animou a interferência "legislativa" dos magistrados, parlamentares elaboram projetos para "enquadrar" o Judiciário.
Assim que iniciarem os trabalhos da Câmara, o deputado Flávio Dino (PCdoB-MA), por exemplo, vai apresentar uma proposta de emenda constitucional para fixar mandato de 11 anos para os ministros do Supremo, hoje vitalício (o ministro se aposenta compulsoriamente aos 70 anos). O deputado Geraldo Magela (PT-DF) elabora um projeto para obrigar a Justiça Eleitoral a julgar os processos envolvendo políticos no prazo máximo de oito meses. O deputado Ricardo Barros (PP-PR) espera que o novo presidente eleito da Câmara no próximo dia 1º crie um grupo de trabalho para tratar das questões do Judiciário que estão pendentes na Casa e propor uma solução.
A súmula antinepotista editada pelo Supremo, proibindo a contratação de parentes nos três Poderes, causou mal-estar no Congresso. No front eleitoral, a divulgação pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) da relação de candidatos a prefeitos e vice-prefeitos fichas-sujas - incluindo vários deputados no rol - azedou a relação com o Congresso. Já a decisão do TSE de mandar cassar o mandato do deputado infiel Walter Brito Neto (PB) provocou atritos entre a Câmara o presidente da Corte, Carlos Ayres Britto.
Passados 20 anos da promulgação da Constituição, o STF ainda não encaminhou para o Congresso um anteprojeto de lei propondo o Estatuto da Magistratura, que será a nova Lei Orgânica da Magistratura Nacional. O assunto é discutido há anos por integrantes do STF com políticos e lideranças da magistratura, mas ainda não se chegou a um texto definitivo.


Fonte: DP

OAB de Pernambuco faz campanha contra político com ficha suja

A Ordem dos Advogados de Pernambuco (OAB-PE) vai aproveitar as eleições de domingo (5), em Recife, para colher assinaturas a favor da campanha contra a candidatura de políticos com "ficha suja". O ato faz parte do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, que reúne mais de 40 entidades, entre elas a Associação dos Magistrados do Brasil (AMB) e a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). A OAB pernambucana também vai ajudar o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do estado a fiscalizar a boca de urna.
O presiente da OAB-PE, Jayme Asfora, afirmou que a idéia é aproveitar o momento em que o eleitor estará, necessariamente, com o título em mãos e fazer com que ele participe do movimento. "Vamos aproveitar o domingo, quando os eleitores estarão munidos dos títulos para colher assinatura. O movimeto de combate à corrupção eleitoral já possuiu mais de 350 mil assintauras e precisamos de mais", disse. "A sede da Ordem ficará aberta durante todo o domingo e, além disso, vamos colocar postos nos locais de votação para que o eleitor possa assinar o documento", acrescentou.
De acordo com Asfora, a assinatura dos eleitores de todo país servirá de base para que as entidades idealizadoras do movimento ingressem no Congresso Nacional com o projeto de lei que altera a legislação que trata da inelegibilidade. "Precisamos de 1,3 milhão de assinaturas para protocolar o projeto de iniciativa popular.
Queremo modificar a lei e tornar inelegíveis aqueles cidadãos que tenham condenações, em primeira intância, por improbidade e também crimes contra à vida.
"O presidente da OAB de Pernambuco ressaltou que não é justo um pretendente a uma vaga no serviço público precisar comprovar sua idoneidade, apresentando certidões negativas de que nunca cometeu crimes e um poítico, que irá assumir uma grande responsabilidade, não seja cobrado. "Só mudando a lei poderemos impedir que políticos com ficha suja sejam candidatos", acrescentou Asfora.
Ele informou também que a Ouvidoria da OAB pernambucana vai funcionar durante todo o domingo para receber denúncias de boca de urna. "A boca de urna, além de ser ilegal, deseqilibra o jogo. Ela propicia o abuso do poder econômico e a compra e venda do voto", disse Asfora.
Fonte: Agência Brasil

AMB divulga terceira e última "lista suja", totalizando 113 candidatos processados

A pouco mais de duas semanas das eleições municipais, a Associação dos Magistrados Brasileiros ampliou hoje (19) a lista disponível no site da associação com o nome dos candidatos a prefeitos e vice-prefeitos, que respondem a processo na Justiça, de origem criminal ou eleitoral.
Além dos candidatos das capitais e de outros 26 municípios com mais de 200 mil eleitores, que se enquadram no critério, também passaram a constar no levantamento os nomes dos candidatos que respondem a processos em 79 dos 84 municípios que possuem entre 100 mil e 200 mil eleitores. Este foi o último acréscimo na lista até o pleito do próximo dia 5 de outubro.
Foram pesquisados nesta etapa 667 candidatos, dos quais 9,1% respondem a processo na Justiça. Ficaram nessa condição 61 candidatos de 45 cidades diferentes. Somando-se com os 37 candidatos da segunda lista e mais 15 da primeira, no total a relação foi finalizada com 113 nomes.
A pesquisa foi concluída a partir de consultas às bases de dados dos Tribunais Regionais Federais, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF). São computadas pela AMB apenas as ações movidas pelo Ministério Público.
Segundo a AMB, cinco municípios do Paraná - Cascavel, Colombo, Foz do Iguaçu, Guarapuava e São José dos Pinhais - ficaram de fora da relação porque o Tribunal de Justiça do estado não disponibiliza em seu site a consulta aos processos por nome da parte.
A divulgação da chamada "lista suja" dos candidatos que respondem a processos chegou a ser cogitada em junho pelo próprio TSE, mas o presidente do TSE, ministro Carlos Ayres Britto, desistiu da idéia, embora tenha declarado, à época, disposto a “desembaraçar o acesso dos interessados a dados que estão nos registros da Justiça Eleitoral”. Posteriormente, a AMB assumiu a missão.
A medida, entretanto, foi criticada pelo presidente do STF, Ministro Gilmar Mendes. Segundo ele, uma lista desse tipo era "sujeita a graves injustiças".

Reportagem: Alexandre Rogério

TREs querem lei contra ficha-suja

WIDER propõe maior rigor com crimes hediondos


O colégio de presidentes dos TREs (tribunais regionais eleitorais) aprovaram moção, ontem, pedindo urgência na criação de uma lei contra a candidatura de “ficha suja”. Eles querem que o a concessão do registro de candidatura leve em conta a vida pregressa dos candidatos. A proposta foi apresentada pelo presidente do TRE-RJ (Tribunal Regional Eleitoral) do Rio, desembargador Roberto Wider.
Pela proposta de Wider estariam impedidos de se candidatar quem tivesse condenação em primeira instância. O TRE-RJ informa que o rigor seria maior no caso de envolvimento em crimes hediondos. Nesse caso o registro de candidatura seria negado assim que o processo fosse recebido em instrução pelos juízes. “A exigência da moralidade para o exercício da função pública é um tema que já ganhou a sociedade e precisa ser abordado com urgência pelos legisladores”, afirmou Wider.
Em agosto, o STF (Supremo Tribunal Federal) rejeitou a ação da AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros) que tentava proibir candidatos com “ficha suja” de concorrer nas eleições. Na ação, a AMB pedia que condenados pela Justiça em qualquer instância - mesmo que os processos não tenham sido julgados em definitivo- pudessem se tornar inelegíveis.
No entendimento dos ministros, a decisão deve ter efeito vinculante. Na prática significa que os juízes eleitorais terão de seguir a definição estabelecida nesta quarta-feira pelo STF. Na ocasião, a candidata do PT à Prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy - incluída na lista suja da AMB- chamou de equívoco esse tipo de levantamento. Em São Paulo, os candidatos Paulo Maluf (PP) e Gilberto Kassab (DEM) também aparecem na lista suja.

Reportagem: Alexandre Rogério

Pesquisa: 82% dos eleitores não confiam em promessas de campanha

A maioria dos brasileiros acreditam que os políticos não cumprem as promessas de campanha, usam a política para o próbrio benefício e não são punidos quando cometem alguma fraude. Este é o resultado da pesquisa divulgada nesta terça-feira (12), pela pela Associação dos Magistrados Brasileiros.
Em todo o País, 85% das pessoas consultadas acha que os candidatos, quando eleitos, são os maiores beneficiados. No Nordeste, onde foram entrevistadas 400 pessoas, esse percentual é um pouco menor - 80%. Apenas 17% opinou que o processo eleitoral beneficia mais a população. O estudo também mostra que 34% dos entrevistados prefeririam não ir às urnas, caso o voto não fosse obrigatório.
Dos que se interessam pelo processo eleitoral, a maioria (97%) citou as propostas de governo como um dos principais fatores para a escolha do candidato. Os benefícios relacionados ao bairro onde moram fica em segundo lugar nesta lista de pontos que influenciam o voto. Nesta indicação, 76% informou que escolhe o candidato pela filiação partidária.
A pesquisa mostra ainda que 60% denunciariam casos de corrupção nas eleições. Indagados sobre a quem deveriam procurar para fazer a denúncia, 50% procurariam a Justiça Eleitoral, enquanto 18% iriam ao Ministério Público e outros 18% à Polícia. Do total de entrevistados, 72% sabem que existe uma lei contra a compra de votos, embora a maioria (69%) desconheça a autoria – que é de iniciativa popular, o que é de conhecimento de apenas 31% dos entrevistados.
Entre os dias 27 de junho e 6 de julho de 2008, o Instituto Vox Populi entrevistou 1.502 pessoas maiores de 16 anos, de todos os estados do país. O resultado está dividido em três tópicos: eleições e política; corrupção eleitoral; e políticos e suas responsabilidades. A Pesquisa está disponível no site da AMB.
Reportagem: Alexandre Rogério

STF rejeita pedido e libera “ficha-suja”

Os Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) não podem mais barrar as candidaturas dos políticos com ficha suja. A maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) - 6 votos em um plenário de 11 - decidiu, ontem, que, enquanto o Congresso Nacional não mudar a Lei de Inelegibilidades, a Justiça Eleitoral não pode proibir os candidatos processados de concorrer às eleições. Prevalece, assim, o que está na Constituição e na atual Lei de Inelegibilidades: ninguém pode ser privado do direito político de se candidatar enquanto o processo a que responde não tiver sido julgado em última instância (transitado e julgado). Isso significa que as candidaturas dos “ficha-suja” estão garantidas para a eleição municipal de outubro.
Até as 21h30 haviam votado contra barrar candidatos processados os ministros Celso de Mello (relator), Carlos Alberto Direito, Cármen Lúcia, Ricardo Lewandowsky, Joaquim Barbosa e Eros Grau. O voto de Barbosa, contudo, foi diferenciado - para ele o político deve ter a candidatura vetada quando, condenado em primeira instância, tiver sentença confirmada por um julgamento em segunda instância. Na prática, portanto, Barbosa, acolheu parcialmente o recurso da Associação dos Magistrados Brasileiros: não aceitou o veto imediato, mas expôs uma fórmula de veto. O ministro Ayres Britto - que também é o atual presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) - foi favorável ao pedido dos TREs e ao recurso da AMB em defesa do direito de barrar candidatos processados.
A decisão do STF ocorre a dez dias do prazo final para a Justiça Eleitoral aceitar ou não as candidaturas para o pleito deste ano. Em junho, TSE já havia decidido que nenhum candidato pode ser barrado antes de ser condenado definitivamente pela Justiça.
Celso de Mello leu um voto extremamente longo, com 91 laudas. Para embasar a sua opinião, citou decisões tomadas no passado pelo STF e por órgãos estrangeiros em que foi garantido o princípio conhecido como presunção de inocência, ou seja, que ninguém será considerado culpado até uma decisão definitiva da Justiça. “A repulsa à presunção da inocência mergulha suas raízes em uma visão incompatível com o regime democrático”, disse o ministro.

Reportagem: Alexandre Rogério

Entidades pressionam para proibir candidaturas de condenados em primeira instância

Representantes de entidades da sociedade civil reforçaram hoje (4) sua posição favorável ao movimento da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) para que que pessoas condenadas em primeira instância não possam concorrer a cargos públicos e alertaram que uma decisão contrária do Supremo Tribunal Federal (STF) pode trazer conseqüências negativas para outras esferas da sociedade.
Os ministros do STF devem julgar na próxima quarta-feira (6) a ação proposta pela AMB para permitir que juízes eleitorais possam negar registros de candidatura a políticos que respondam a processo criminal. O pedido contraria entendimento anterior do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que decidiu que o candidato só pode ter o registro indeferido quando houver condenação com trânsito em julgado, ou seja, com sentença definitiva.
O presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), Fernando Mattos, lembrou que, se o STF decidir que as restrições só valem para quem for condenado em última instância, esse entendimento pode ser aplicado também a esferas administrativas, como nos concursos públicos.
“Imagine se uma pessoa com condenações na Justiça pudesse se candidatar a um concurso para juiz, para delegado de polícia, para promotor de Justiça. Imagine a instabilidade que isso traria para a sociedade”, disse.
O presidente da Associação Nacional dos Membros do Ministério Público (Conamp), José Carlos Consenzo, também lembrou que as mesmas regras dos concursos devem valer para a política. “Hoje, quem faz concurso público tem que apresentar bons antecedentes. Por que não se pode aplicar a mesma regra para a política, que é muito mais ampla?”, questiona.
Para ele, não é injusto restringir a candidatura de pessoas condenadas apenas em primeiras instância, pois elas têm direito à defesa. “A sentença de primeira instância é ampla, correta, perfeita, é quando as pessoas podem apresentar todas as provas possíveis”, diz.
O presidente em exercício da Associação dos Magistrados do Brasil, Carlos DellOrto, mostrou-se confiante em uma decisão positiva do STF na próxima quarta-feira. Se isso acontecer, a inelegibilidade de candidatos condenados em primeira instância pode valer já para as eleições deste ano.
“A vida passada dos candidatos deve ser considerada para aferição da sua moralidade administrativa. Ou seja, se aquela pessoa tem efetivamente condições de gerir os recursos públicos. Uma pessoa que tenha condenação em primeiro grau, a nosso ver, já poderia não ser habilitada a ser candidata, porque já se demonstrou, a princípio, que ela não teria condições de gerir os recursos públicos”, reforçou DellOrto.
Para o presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), Antônio Carlos Bigonha, os eleitores devem sempre se informar sobre a vida dos candidatos. “Independentemente da decisão do STF, os candidatos continuam com a vida pregressa, e ela é relevante para que o eleitor possa bem exercer o seu direito ao voto. Então, nós incentivaremos sempre que os eleitores tenham direito de acesso a essas informações, que são públicas”, alerta.
Segundo o secretário-geral da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Dimas Lara Barbosa, as informações sobre os processos a que os candidatos estão respondendo são públicas, mas elas estão muito dispersas. “Nem sempre é fácil para o eleitor localizar essas informações. Mas ele deve se informar o máximo possível sobre a vida do seu candidato”, adverte.
O Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, formado por diversas entidades da sociedade civil, divulgou hoje (6) uma carta de apoio à ação da AMB. Além disso, a Ajufe, a Conamp e a ANPR informaram que vão se manifestar durante o julgamento como amicus curiae (amigos da corte).

Reportagem: Alexandre Rogério

STF julga ação contra candidatos fichas-sujas

MINISTRO Celso de Mello será o relator da proposta


AMB tenta dar aos juízes o direito de negar registros. O Supremo Tribunal Federal (STF) julga na quarta-feira ação proposta pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) que busca garantir aos juízes eleitorais a possibilidade de negar o registro de candidatura a políticos conhecidos por fichas-sujas, aqueles que respondem a processo criminal. A AMB já divulgou em sua página na internet a relação de todos os candidatos a prefeito de capitais que respondem a processos por corrupção, lavagem de dinheiro e abuso do poder econômico, entre outros crimes.
Com a intenção de alertar o STF, o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE) divulgou ontem uma carta de alerta aos ministros do STF. Pedem que eles levem em conta que ignorar a vida pregressa dos candidatos na aceitação dos registros é uma decisão perigosa. O MCCE é composto por dezenas de entidades, entre elas a AMB, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a Associação dos Juízes Federais (Ajufe), a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj).
“Não se trata de antecipar culpas, mas de fazer valer o chamado princípio da precaução, que rege o direito eleitoral”, diz parte do documento divulgado ontem, na sede da CNBB, em Brasília. Na ação interposta no STF, a Associação dos Magistrados do Brasil (AMB) pede que seja derrubada a interpretação majoritária do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de que somente uma condenação definitiva da Justiça, quando não há mais possibilidade de recurso, pode impedir um político de disputar as eleições. O relator da ação no STF é o ministro Celso de Mello.
Se a decisão do STF for favorável à ação da AMB, as repercussões na eleição do dia 5 de outubro serão imediatas, porque os juízes poderão impugnar as candidaturas até o dia 16 de agosto. Para todas as impugnações há a possibilidade de recursos aos TREs e ao TSE, na instância final.

Reportagem: Alexandre Rogério

AMB começa a divulgar “lista suja”

Maluf responde a seis ações diferentes, contra uma de Marta Suplicy


A 1ª relação abrange apenas candidatos a prefeito e vice das capitais, a AMB (Associação dos Magistrados do Brasil) divulgou ontem a lista com os nomes dos candidatos a prefeito e vice-prefeito das capitais que respondem a processos na Justiça. Na lista destacam-se os nomes dos candidatos a prefeito de São Paulo Marta Suplicy (PT) e Paulo Maluf (PP).
A candidata a vice-prefeita na chapa de Maluf, Aline Corrêa (PP), também está na lista, respondendo a processos por crimes como formação de quadrilha, falsificação de documentos e ocultação de bens. Já o candidato do PP está envolvido em seis ações, que vão de crimes contra o Sistema financeiro a formação de quadrilha. Marta responde por crimes da Lei de Licitações. De acordo com a AMB, a lista inclui 15 candidatos a prefeito que respondem a ações penal, de improbidade administrativa ou eleitoral na Justiça. Estão na lista as ações que estão tramitando, mesmo que o caso ainda não tenha sido julgado em nenhuma instância.
Inicialmente, a relação só vai incluir os candidatos a prefeito e vice-prefeito nas capitais. Mas a AMB pretende incluir a lista dos candidatos das cidades com mais de 200 mil eleitores até agosto. O secretário-geral da AMB, Paulo Henrique Machado, disse à reportagem que, nesta primeira etapa, serão disponibilizados cerca de 350 nomes de candidatos a prefeito e vice nas capitais.
Segundo Machado, apenas 5% deste total respondem a processos criminais ou por improbidade administrativa. “Sinceramente? Eu me surpreendi positivamente com os números. Nós ouvimos falar tanto em dados negativos sobre os políticos, mas, observando as informações, os números foram inferiores ao esperado”, disse o secretário-geral.
De acordo com Machado, a lista elaborada pela AMB só vai considerar os casos de processos já aceitos pela Justiça. O magistrado disse que o objetivo da associação não é “pré-julgar” ou “julgar” os candidatos, mas prestar um serviço à sociedade, informando com segurança os dados relativos aos candidatos.
“A AMB não está dizendo se o político pode ou não se candidatar. A associação entende que esses dados, sobre os processos, não podem ser omitidos ao eleitor. São informações prestadas pelos próprios candidatos”, afirmou. A lista encontra-se no site da associação (www.amb.com.br).

Reportagem: Alexandre Rogério

Governo contra veto aos “ficha-suja”

O Governo Federal é contra a possibilidade de a Justiça Eleitoral barrar a candidatura de políticos com ficha suja. Em ofício encaminhado ontem ao Supremo Tribunal Federal (STF), assinado pelo presidente Luis Inácio Lula da Silva e pela Advocacia Geral da União (AGU), o governo contesta os argumentos da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), que entrou com uma ação no Supremo para impedir que candidatos com processos na Justiça disputem as eleições.
No parecer, o governo argumentou que somente o Congresso Nacional pode estabelecer regras para tornar um político inelegível. “Não se pode querer, por meio da presente ação, subtrair a competência do Congresso Nacional para o exercício de tal mister”, argumentou o governo no parecer.
Apesar disso, o advogado da União, Rafaelo Abritta, que elaborou o parecer assinado por Lula, admitiu que a ação da AMB “vai ao encontro dos anseios da sociedade brasileira”. E afirmou que a AGU concorda com o “resultado ético” buscado pela ação da AMB: “Ética e moralidade na gestão da coisa pública”. Discorda, porém, de que essa alteração legal possa ser feita pelos ministros do Supremo.
A ação da AMB chegou ao STF no último dia 26. A associação defendeu no texto que o Supremo permita que o juiz eleitoral leve em consideração a vida pregressa do político, mesmo que não tenha sido condenado em definitivo, para decidir se concede ou não o registro de candidato.
A ação é relatada pelo ministro Celso de Mello e deverá ser julgada no dia 6 de agosto, na primeira sessão do Supremo no retorno do recesso de julho. Celso de Mello pediu a manifestação da Presidência, da Câmara, do Senado e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Pelos prognósticos dos ministros, a tese da AMB, de que candidatos com processo na Justiça são inelegíveis, será derrotada pela maioria dos ministros.
Deve prevalecer no plenário a tese de que ninguém pode ser punido sem que o processo tenha sido julgado em última instância.
Reportagem: Alexandre Rogério

Político “ficha suja” ocupa todas as esferas de poder

Somente no Nordeste, são três governadores, 36 deputados federais, 90 estaduais, e mais de 600 prefeitos. As eleições municipais de outubro reascenderam em todo o País as discussões sobre a candidatura dos chamados políticos ficha suja, que têm problemas na Justiça comum ou com a Justiça Eleitoral. Há um movimento dos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) para tentar barrar as urnas para estes candidatos. Agora, se olharmos com uma lupa o atual cenário, por todos os lados há políticos com problemas na Justiça.
No Nordeste, uma radiografia mostra que político ficha suja ocupa todas as instâncias. São quatro governadores, 36 deputados federais, 90 estaduais e mais de 600 prefeitos que enfrentam problemas. A maioria dos crimes tem relação eleitoral na busca por um mandato. No Caso dos prefeitos, a situação mais comum é a irregularidade na prestação de contas. Entre os deputados, tanto estaduais quanto federais há processos por crimes contra a administração pública, como peculato e desvio de verbas.
Também não faltam denúncias de crimes comuns, como formação de quadrilha, por estelionato, uma por furto qualificado, outra por contrabando, e uma por lesão corporal. 0s eleitores da Paraíba, Maranhão, Sergipe e Piauí escolheram governadores em situação desconfortável com a Justiça.
Os chefes dos Executivos dos Estados respondem por crime eleitoral. Pesa contra o governador de Sergipe Marcelo Déda (PT) denúncias por propaganda eleitoral fora de época. Já o governador do Maranhão Jackson Lago (PDT) tem processo por abuso do poder econômico e compra de votos.
O governador do Piauí Wellington Dias (PT) enfrenta 16 ações na Justiça Eleitoral. Todos os processos pedem a cassação do mandato ou do diploma de governador, nove destas foram movidas pelo PMDB, partido que fez oposição ao governo durante a campanha. O Tribunal Regional Eleitoral já aplicou multa de R$ 100 mil pelo uso de programa social, não previsto na lei orçamentária, no ano da eleição.
A situação do governador da Paraíba Cássio Cunha Lima é a mais delicada. Ele já foi cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) da Paraíba em 30 de agosto do ano passado. Ele é acusado de distribuir 35 mil cheques da Fundação Ação Comunitária (FAC) na campanha eleitoral. Como o programa assistencial não tinha previsão legal, o relator do caso, o corregedor Carlos Eduardo Leite Lisboa, considerou-o medida eleitoreira.
Mas, dois dias depois da condenação, o Plenário do TSE desobrigou o tucano de deixar o cargo. A Medida Cautelar 2230 foi concedida para que ele continue governando até seu recurso ser julgado pelos ministros.
Entre os deputados federais, Bahia e Alagoas disputam os Estados com o maior número políticos complicados na Justiça. São seis parlamentares para cada região. Em seguida estão Ceara (5), Paraíba (4), Piaui (4), Pernambuco (3), Maranhão (3), Rio Grande do Norte (3) e Sergipe (3). Entre deputados que têm mandato em Brasília, o ex-prefeito de Aracaju, Jackson Barreto (PMDB-SE) lidera o ranking dos mais enrolados. São oito processos, sendo seis ações por crime contra administração pública, a maioria por peculato, além de dois inquéritos, um por crime eleitoral e outro por calunia e injúria. Os líderes partidários da oposição e do governo minimizam as estatísticas. “É difícil você ser político sem ter um processo nas costas. Questões simples se transformam em uma ação. As vezes é uma perseguição política, uma desavença local que te transforma em réu, por isso é sempre bom ter cautela ao se tratar deste tema”, avalia o líder do PT na Câmara, Maurício Rands (PE).
Para se ter uma idéia, esses 36 congressistas do Nordeste configuram numa lista que tem 153 parlamentares. Todos são alvo de algum tipo de investigação na mais alta corte do país. Em 90 casos, o Supremo e a Procuradoria Geral da República encontraram indícios para transformar 48 congressistas (42 deputados e seis senadores) em réus.
Na esfera estadual, as nove Assembléias Legislativas do Nordeste tem representantes diretamente eleitos pelo povo com problemas na Justiça. Em termos proporcionais, Paraíba com 14 deputados encabeça a lista porque representa 39% do total de deputados. Depois estão: Ceará (15), Sergipe (7), Bahia (16), Rio Grande do Norte (6), Pernambuco (9), Piauí (4) e Alagoas (3). As acusações também se referem às possíveis irregularidades no pleito, mas há ainda situações de desvio de verba e formação de quadrilha.
Apesar da polêmica, no que depender do Congresso, uma definição sobre a candidatura de político ficha suja está longe. Os líderes partidários pediram vistas do texto do senador Demóstenes Torres (DEM-GO) na Comissão de Constituição (CCJ) que altera a Lei das Inelegibilidades (Lei 64/90). A proposta tem como base o texto do ministro aposentado do STF, Carlos Velloso, e regulamenta dispositivo constitucional que prevê, para fins de registro de candidatura, que seja considerada a vida pregressa do candidato.
O parecer de Demóstenes prevê duas principais alterações, mas não deve ser votado neste ano – especialmente pelo engajamento dos senadores nas eleições municipais que deixa um baixo quorum no Congresso. A primeira mudança de Demóstenes estabelece que fica impedido de se candidatar qualquer político que tenha condenação em primeira ou em única instância – isso porque governadores e parlamentares, por exemplo, têm foro privilegiado e, portanto, são julgados uma única vez. Portanto, os que cometerem delitos, que praticarem atos de corrupção e improbidade administrativa e já tiverem no mínimo um julgamento não poderão entrar na vida pública.
A outra medida a ser defendida pelo senador é que, ao contrário do que ocorre hoje, quando um político com condenações nos Tribunais de Contas só precisa recorrer da decisão para ser liberado para o pleito, agora, para suspender a penalidade será necessário um provimento judicial, ou seja, que a Justiça dê uma sentença permitindo sua participação.
Demóstenes elogiou a postura dos ministros do TSE de deixar para o Legislativo tratar da questão e argumenta que uma decisão uma condenação em primeiro grau é um indício razoável de culpa.
Demóstenes defende seu texto. “Temos que acabar com esta política de impunidade. Não dá para ter corruptos, ladrões, homicidas como vereadores, prefeitos, senadores, governadores. Vamos lutar para que os políticos tenham a ficha limpa, para que não entrem aqui com a intenção de dilapidarem o dinheiro público”, sustenta o relator.
O senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), que participa do grupo de trabalho contra o ficha suja, lamenta a demora da Casa para votar a matéria. “Não consigo entender porque demoramos tanto para votar este projeto. Depois os parlamentares reclamam que a opinião pública não demonstra confiança no Congresso”, declarou.
Sem uma ação do Legislativo, o Judiciário pode ter que resolver a questão. O Supremo Tribunal Federal (STF) analisa ação da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) que questiona dispositivo da Lei de Inelegibilidades e o entendimento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), de que apenas a condenação definitiva, no exame da vida pregressa dos candidatos, pode ser levada em conta para negar registros de candidatos nas eleições. O relator é o ministro Celso de Mello.
A AMB pede a concessão de liminar para determinar a todos os juízes eleitorais que eles possam observar, nos julgamentos dos registros, ações contra candidatos ainda em trâmite na Justiça, ou seja, com a "ficha suja". Para a associação, após a emenda constitucional de revisão 04/94, alguns dispositivos da lei deixaram de ser compatíveis com a Constituição.
“Eu sou remunerado pela sociedade, e tenho deveres para com a sociedade. E a sociedade tem o direito de saber o meu comportamento no exercício na função de magistrado, assim como o do parlamentar. Isso (a divulgação da lista) vem em favor da cidadania, da democracia, é uma informação pública”, destacou o presidente da AMB, o juiz Mozart Valadares Pires.
A iniciativa da AMB não foi bem recebida pelo o presidente do STF, ministro Gilmar Mendes. O ministro fez duras críticas à divulgação, por parte de entidades de classe como a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), de listas de candidatos que tenham algum tipo de complicação com a Justiça. O magistrado classificou de “populismo” elaboração e produção da “lista suja”. “Eu tenho horror a populismo e muito mais a populismo de índole judicial. Então, eu não me animo a ficar fazendo esse tipo de lista porque eu tenho medo de cometer graves injustiças”, disse Mendes.
Na ocasião, Mendes jogou a responsabilidade pela divulgação para o Congresso, a sociedade e a imprensa. “A comunidade que se organize, os partidos políticos que façam a sua seleção, a imprensa que publique e assuma as suas responsabilidades”, bradou, dizendo não ver com “entusiasmo” tal tarefa para órgãos judiciais e lembrando que o Tribunal Superior Eleitoral já rejeitou realizar a divulgação da lista.

Reportagem: Alexandre Rogério

DEM propõe mudar lei de inelegibilidades


Enquanto o STF (Supremo Tribunal Federal) se prepara para julgar em agosto uma ação que contesta a liberação de candidatos com a “ficha suja”, o Congresso discute mudanças na atual Lei de Inelegibilidades para impedir a participação de políticos condenados já em primeira instância. Ontem, o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), relator de um projeto de lei complementar para aumentar o rigor contra candidatos “fichados”, apresentou parecer sobre o tema na CCJ (Comissão de Constituição de Justiça) do Senado.
O texto de Demóstenes, resultado da junção de 21 projetos, propõe alterar a Lei das Inelegibilidades, que impede só o registro eleitoral de candidatos que tenham condenação em última instância, sem possibilidade de recurso. A proposta poderia ter sido votada, mas o senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE) pediu vista ao texto do senador goiano no momento em que o projeto seria apreciado.
“Como se trata de proposta que envolve interesses políticos da nação, eu preferiria que houvesse sessão mais cheia.” No Supremo, por sua vez, os ministros irão julgar uma ação proposta pela AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros) para impugnar os artigos da lei complementar que tratam dos candidatos com problemas na Justiça.
A tendência da Corte é manter recente decisão do TSE, que entendeu não ser possível contrariar o que diz a legislação atual. Essa, pelo menos, é a posição do relator da ação no STF, ministro Celso de Mello. Pensam como ele o presidente da Corte, Gilmar Mendes, e os ministros Marco Aurélio Mello, Eros Grau, Carlos Alberto Menezes Direito e Cezar Peluso. Ministros e juristas ouvidos pela reportagem dizem que a legislação atual é “clara” e “fechada” em suas limitações, e a única possibilidade de mudança deve partir do Congresso, como manda a Constituição.
Reportagem: Alexandre Rogério

Ministro recua e não divulgará “ficha suja”

Objetivo de Carlos Ayres era divulgar a ficha criminal dos candidatos
O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministro Carlos Ayres Britto, recuou, ontem, sobre a divulgação da “ficha suja’’ de candidatos nas eleições deste ano. “Vamos esclarecer bem. O objetivo do TSE não é divulgar lista de quem quer que seja. Não é isso. É facilitar o acesso do eleitor aos dados constantes do pedido de registro da candidatura’’, afirmou o ministro. Ele acrescentou que a lei exige que o pedido de registro de candidatura seja acompanhado da declaração de bens, quitação de prestação de contas, certidões criminais. “O TSE quer viabilizar este acesso do modo mais facilitado possível. Para que o eleitor não tenha que se deslocar fisicamente para os diversos cartórios’’, remendou.
O ministro explicou que o tribunal estuda uma forma de viabilizar a divulgação imediata da ficha criminal dos candidatos, mas destacou que, se não for possível neste ano, certamente será nas eleições de 2010.
Britto participou da cerimônia de lançamento da segunda campanha “Eleições Limpas’’, da AMB (Associação de Magistrados Brasileiros), realizada na manhã de ontem.
Apesar da declaração de Britto, a AMB diz que vai divulgar a relação dos candidatos que tenham ações penais em andamento na Justiça Federal, Estadual ou Eleitoral. A proposta faz parte da campanha “Eleições Limpas”, que tem como objetivo o voto livre e consciente. Segundo o juiz Paulo Henrique Machado, coordenador da campanha, a AMB vai solicitar aos juízes das 3.200 zonas eleitorais de todo o país a lista dos candidatos que tenham ficha penal “suja”. A idéia é divulgar os nomes na página da AMB na Internet. “O voto livre e consciente só se exerce com informação, que não pode ser sonegada ao eleitor”, afirmou.
Machado explicou que todos os candidatos são obrigados a apresentar certidões criminais da Justiça Federal, Estadual e Eleitoral, conforme determina a legislação eleitoral. “Se tiver processo em andamento, o juiz eleitoral tem como saber”, afirmou. O coordenador da campanha explicou que a legislação eleitoral não obriga a apresentação de certidões para verificar a existência de processos civis. “Porém, na maioria das vezes uma ação civil pública por ato de improbidade administrativa, por exemplo, pode resultar em uma ação penal”, afirmou. Machado disse que a AMB espera divulgar a lista até o fim de julho, uma vez que os candidatos têm prazo até 5 de julho para solicitar o registro à Justiça Eleitoral.
Reportagem: Alexandre Rogério

Brasileiro não confia em partidos políticos

O secretário-geral da Associação dos Magistrados Brasileiros, Paulo Henrique Machado, e o presidente da instituição, Mozart Pires, durante divulgação dos resultados do Barômetro AMB, uma pesquisa sobre confiança dos brasileiros nas instituições e órgãos públicosBrasília - Pesquisa divulgada hoje (10) pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) indica que 72% dos entrevistados não confiam nos partidos políticos. O dado faz parte do Barômetro de Confiança, instrumento de análise do grau de credibilidade dos brasileiros nas instituições e órgãos públicos do país, que foi lançado hoje pela AMB.A cada três meses, a associação realizará o estudo, em parceria com o Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe). No primeiro levantamento, foram ouvidas 1,5 mil pessoas em todo o Brasil, maiores de 18 anos, no período de 29 de maio a 2 de junho de 2008.Na avaliação do presidente da AMB, Mozart Valadares Pires, o primeiro Barômetro de Confiança apresentou resultado “extremamente preocupante”.“É evidente a necessidade de reavaliar a atuação, principalmente dos partidos políticos, que foi a instituição com menor grau de confiança da população”. Para Pires, a exposição dos políticos está por trás da falta de credibilidade.“Nós temos que levar em consideração que o Legislativo brasileiro vive mais na vitrine do que os outros poderes. Ultimamente têm ocorrido alguns escândalos no Legislativo, nos últimos 10 anos, por exemplo, dois presidentes do Senado tiveram que renunciar por acusações de corrupção. Tudo isso repercute negativamente na sociedade brasileira”, disse o presidente da AMB.Na pesquisa, foram avaliadas 17 instituições. Entre elas, as Forças Armadas se destacaram, com um nível de confiança de 79%. Em seguida, vêm a Igreja Católica (72%) e a Polícia Federal (70%). Foi incluído também no estudo um levantamento sobre o conhecimento da forma de funcionamento do Poder Judiciário. Os dados indicam que apenas 8% dos entrevistados afirmam conhecer bem o funcionamento da Justiça.“É preciso melhorar todas as instituições, não só as que tiveram baixo nível de confiabilidade, para oferecer um melhor serviço à sociedade”, completou Pires.
Reportagem: Alexandre Rogério